Jurandyces Arrudianas
   



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A insignificância

Jura Arruda

Imagem extraída do site: www.sempretop.com.br

Você está em uma agência de publicidade: o cliente pediu uma mara para a empresa ou novo produto. A equipe composta pelo redator, pelo designer, pelo atendimento a conta e pelo diretor de criação senta-se para discutir o briefing (termo em inglês para "informações vindas do cliente"). A isso chamam de brainstorm, algo como tormenta ou tempestade cerebral. Em alguns casos a tempestade mais se assemelha a um tsunami... De besteiras e alguma criatividade. Vivi dez anos esse ambiente e, confesso que é bem gostoso lançar ideias ao espaço, uma brincadeira realmente divertida. Todo brainstorm tende a se transformar depois de algum tempo de reunião, e aspectos mais sérios e científicos são adotados, como o histórico da empresa, o momento do mercado, as ações de marketing dos concorrentes e tanto mais.

Há, porém, situações em que não é adotado o brainstorm e sequer há um briefing que valha a leitura. Muitas vezes o trabalho vai diretamente para o designer que recorre à pesquisa de marcas na internet ou a velhos livros em busca de ideias para a nova marca a ser criada. Até chegar a um resultado satisfatório, o designer traça mil linhas, utiliza centenas de fontes, troca cores, risca traços, cria círculos, recorta retângulos até que chega a uma imagem bonita, que é apresentada dois ou três dias depois. Se aprovada pelo atendimento da conta e pelo diretor de criação, cabe ao redator fazer a "defesa"da marca. Um amigo meu dizia que trabalho bem feito não precisa de defesa. A maioria dos meus precisou. Quase sempre, ao conversar com o designer para saber qual a linha da defesa, ouvia o seguinte: "inventa algo aí. Não pensei em nada". E lá ia o redator criar significado para traços, fontes e cores. falsa modéstias às favas, eu acabei virando bom nesse negócio de inventar significado.

Esta semana, fiquei sabendo que o significado que conhecemos hoje da bandeira brasileira foi criado por algum redator de alguma agência publicitária, talvez regado a pizza e coca-cola Acredite, o símbolo maior da República tem um significado que em nada remete ao que foi criado pelo designer da época.

Chega a ser divertido saber disso. Saber que pelo significado original, o verde não representava a natureza, ele era referência à cor da Casa de Brangança, residência da Família de Dom Pedro I; o amarelo não representava nossa riqueza mineral, mas a cor da casa de Dona Leopoldina, esposa de Dom Pedro; e o azul? Nada de céu estrelado, ele é a esfera armilar, também presente na bandeira portuguesa do império.

Fala a verdade, ficou muito melhor que o original, não ficou? A publicidade, com tudo que tem de nociva, deixa a vida mais colorida e cheia de significados... Forjados.



Escrito por Jura Arruda às 17h13
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